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Qual sua cor? Como você se vê?

21/06/2020

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Qual é a sua cor? Como você se vê? Como se sente? Em um tempo em que a palavra e os atos de racismo dominam a mídia e impulsionam movimentos nas ruas em todo mundo, essas perguntas são pertinentes para a reflexão de todos. No Brasil, a maioria da população herda sangue africano, mas algumas pessoas só lembram da genética quando lhe é conveniente. É o caso de cidadãos que na esfera social se consideram "brancos", mas assinalam a opção “afrodescendente”, em concursos públicos para entrar na lei de cotas.

Esse comportamento tem sido comum em muitos certames. “É lamentável que situações como estas aconteçam e envolvam até profissionais farmacêuticos. Se considerar negro somente quando for pertinente é um oportunismo vergonhoso e uma afronta à raça negra”, declara a presidente do Sinfarpe, Veridiana Ribeiro. Para a líder sindical, que há anos milita no movimento antirracial, a questão da cor está ligada ao sentimento da pessoa. “Ou ela se sente negra ou não. Não basta dizer que é se não se aceita. Não adianta marcar um “x” num papel se identificando como tal, porque isso não vai determinar o que ela é realmente”, diz.

Veridiana destaca que a negritude é uma questão intrínseca ao ser humano e que se revela nas atitudes e no modo de vida de cada um. Cita como exemplo, pessoas que mesmo brancas, militam no movimento negro e se identificam com a cultura e os costumes afros. “Quem de fato é, ou se sente negro, jamais renega sua cor e sente a necessidade genuína de lutar pelos direitos da raça e contra o preconceito. Condena o racismo, não por defender um grupo ao qual não pertence, mas por se sentir parte dele. Quem é negro, é todo tempo. Sente na pele e na alma, mesmo que seja branco por fora”, reforça.

“Muita gente se sensibiliza com atos praticados contra os negros, mas em determinados momentos tem atitudes racistas. É o caso de suspeitar de um jovem negro na rua, como um possível marginal, simplesmente pela cor; de achar que uma negra num imóvel de classe média alta só pode ser empregada e de ficar surpreso quando encontra um profissional afrodescendente bem sucedido, como se a melanina estivesse relacionada ao intelecto. É aí que sentimos o quanto a chamada “abolição da escravatura “ nunca aconteceu. Que os mais de 300 anos de escravidão continuam assombrando os negros nas esferas sociais, econômicas e culturais no Brasil. E muitos desses racistas são os que marcam o “x” para aquelas cotas já faladas, nos concursos “, finaliza.

Redação Sinfarpe


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